Primeiro consórcio de jornalistas de investigação portugueses é apresentado a 16 de novembro

O primeiro consórcio de jornalistas de investigação portugueses vai ser lançado quarta-feira, 16 de novembro, às 18h30, no auditório B1 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. Trata-se de uma forma inovadora de prática jornalística, de modelo de negócio e de colaboração, dado que integra como membros fundadores quatro investigadores académicos (dois deles do Obi.media), quatro jornalistas profissionais e um advogado especializado em direito dos media.

A cerimónia de lançamento contará com a presença do Presidente da Associação de Jornalistas de Investigação Espanhóis, António Rubio, e a exibição, em ante-estreia e circuito fechado,  do primeiro episódio de duas grandes reportagens a emitir na SIC. Este é, aliás, o primeiro trabalho gerado por este consórcio e será publicado, igualmente, no jornal digital Setenta e Quatro, no Público e no Expresso, entre 16 e 20 de novembro.

O Consórcio – Rede de Jornalistas de Investigação tem presença online na plataforma do Obi.media, um dos parceiros, aqui.

Europa Criativa MEDIA 2023: seis calls abertas com prazos entre janeiro e julho

O programa Europa Criativa, vertente MEDIA, abriu seis calls para apoiar o setor audiovisual europeu (cinema, televisão, plataformas digitais, videojogos e conteúdo imersivo) divididas em quatro polos temáticos: conteúdos, empresas, públicos e políticas. 

O objetivo destes apoios é reforçar a capacidade de internacionalização do setor audiovisual e promover a circulação transnacional das respetivas obras.

Neste momento encontram-se abertos os concursos das seguintes linhas de financiamento: 

1) Produção para TV e Online (até 17 de janeiro 2023 e 16 de maio de 2023); 

2) Ferramentas inovadoras e novos modelos de negócio (até 24 de janeiro de 2023); 

3) Desenvolvimento de pacote de projetos (até 25 de janeiro de 2023);

4) Desenvolvimento de videojogos e conteúdo imersivo (até 1 de março de 2023)

5) Apoio a Agentes de Vendas Internacionais (até 14 de março 2023 e 4 de julho de 2023);

6) Desenvolvimento de Audiências e Educação Fílmica (até 30 de março 2023); 

Todas as informações sobre projetos elegíveis, condições de financiamento e candidaturas podem ser consultadas nesta página.

O Europa Criativa é um programa da União Europeia de apoio aos setores culturais e criativos. 

Mensagem e Associação Passa Sabi desenvolvem projeto de jornalismo com jovens do Bairro do Rego

Aprender a contar as suas histórias e a identificar as histórias falsas contadas por outros. Este é o próximo desafio de jovens do Bairro do Rego, em Lisboa, que se vão tornar Correspondentes de Bairro, num projeto de jornalismo inovador, desenvolvido pela Mensagem de Lisboa e a Associação Passa Sabi. As sessões sobre desinformação serão coordenadas pelo jornalista Paulo Pena e as de jornalismo estarão a cargo dos jornalistas da Mensagem de Lisboa. O projeto foi apresentado no passado 13 de outubro, na sede da Passa Sabi, entre cachupa e debates.

“Queremos que estes jovens repercutam no bairro a ideia de que há um poder em contar a sua história bem contada”, diz Catarina Carvalho, diretora da Mensagem de Lisboa e uma das coordenadoras do projeto. Inspirado nas tendências de jornalismo comunitário analisadas pelo Centre for Community Journalism e com o objetivo de ouvir quem não é ouvido, o projeto “Correspondentes de Bairro” procura capacitar jovens com menos de 18 anos para o relato da realidade que os rodeia e que geralmente escapa à lente dos media. Todas as histórias serão editadas, curadas e posteriormente publicadas na Mensagem. 


A iniciativa ganhou uma bolsa do Programa Cidadãos Ativ@s/EEAGrants, gerido em Portugal pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação Bissaya Barreto.

Fotografias de Inês Leote, cedidas pela Mensagem de Lisboa

Portugueses Afrolis e Jornal de Guimarães estão entre os 47 vencedores do Desafio de Inovação da Google News Initiative – Europa

Na primeira edição dirigida às pequenas e médias redações europeias, a iniciativa da Google reconheceu 38 projetos propostos por 47 instituições, incluindo parceiros das respetivas redações.

A rádio Afrolis e o Jornal de Guimarães apresentaram projetos na área da diversidade e inclusão. A Afrolis está a criar uma rede social que compara narrativas estereotipadas de mulheres radicalizadas com a produção dessas próprias mulheres, de forma a combater a desinformação. O periódico de Guimarães tem como parceiros uma escola local e um centro de dia e os conteúdos serão produzidos em conjunto com jovens e idosos, estimulando a interação entre estas faixas etárias.

Segundo nota disponível no website da Google, este desafio de inovação destina-se a redações menores que produzem “jornalismo original e cujos projetos se concentram na criação de um ecossistema de notícias mais sustentável e diversificado”.

Divergente arrecada prémio de inovação nos Online Journalism Awards com “Por ti, Portugal, eu juro!”

A reportagem multimédia “Por ti, Portugal, eu juro!” venceu um dos Online Journalism Awards, na categoria de excelência e inovação no storytelling visual digital em pequenas redações. Os prémios são atribuídos anualmente pela Online Journalism Association.

Esta investigação, que decorreu entre 2016 e 2021, reúne histórias de Comandos Africanos da Guiné organizadas em quatro capítulos, que, durante a Guerra Colonial, foram obrigados a combater ao lado das Forças Armadas portuguesas e depois esquecidos. O website do projeto reúne também um mural – que é ao mesmo tempo um memorial online – com os entrevistados, mas também outros militares mortos em combate ou por fuzilamento, visualizações de dados que contextualizam o utilizador e ainda a história por detrás da história.

Ainda na categoria de excelência e inovação no storytelling visual digital, foram reconhecidas mais duas reportagens: Inside the Apocalyptic Worldview of ‘Tucker Carlson Tonight’, do The New York Times (grande redação) e Mapping where the earth will become uninhabitable, do FUNKE Zentralredaktion – Interaktiv (médias redações). No total, a edição de 2022 dos Online Journalism Awards atribuiu 55 prémios.

Perante uma mediatização profunda: a inovação como caminho a seguir

Graças à digitalização, hoje somos confrontados com uma nova fase de mediatização, aquilo a que Couldry e Hepp, no livro The mediated construction of reality (2017) chamam de mediatização profunda. Hepp e Hasebrink (2018) destacam cinco tendências que caracterizam o espaço mediático nesta nova era: a diferenciação, a conectividade, a omnipresença, a inovação e a dataficação.

Mas como é que estas mudanças influenciam diretamente o jornalismo? Kramp e Loosen (2018) seguem o pensamento de Hepp e Hasebrink (2018) e aplicam as cinco tendências acima mencionadas ao universo mediático. No que toca à diferenciação, os autores relacionam-na com os novos meios de comunicação e também com as novas práticas comunicativas que garantem aos públicos novas formas de interação; sobre a conectividade, no campo jornalístico, esta permite uma ligação mais forte e imediata entre os profissionais e os públicos; a omnipresença manifesta-se no feedback e nas contribuições das audiências, que surgem por exemplo nos espaços de comentários; a inovação, que no jornalismo se manifesta a um ritmo crescente principalmente nas tecnologias de comunicação e a dataficação, a partir da qual é possível obter a monitorização do comportamento do público com base em traços digitais que são cada vez mais diversos e que revelam informações sobre preferências, avaliação e envolvimento.

Todas estas tendências mostram um ambiente mediático em transformação, com um foco maior na digitalização, que segundo Kramp e Loosen (2018), tem permitido mudanças não só na produção de notícias como também nas práticas individuais dos jornalistas e das próprias organizações mediáticas. No fundo, a disrupção tecnológica trouxe aos media uma batalha entre novas oportunidades e novos desafios.

Segundo Santos Silva (2021), sempre que os meios de comunicação se encontram num período de incerteza como o que vivemos, há uma tentativa para inovar, que surge como uma necessidade perante os desafios. No campo dos media, Pavlik (2013) argumenta que a inovação assenta em quatro dimensões: criar, entregar e apresentar conteúdos noticiosos de qualidade; envolver o público num discurso noticioso interativo; empregar novos métodos de reportagem otimizados para a era digital e a sociedade em rede e desenvolver novas estratégias de gestão e organização para um ambiente digital, móvel e em rede.

Já nos anos 30 e 40, os jornais foram desafiados pela rádio e consequentemente divulgaram as notícias de uma forma mais interpretativa ao mesmo tempo que expandiram a cobertura fotojornalística. Em 1950, com o surgimento da televisão, a rádio passou a focar-se mais na música e nos relatos desportivos (Gershon, 2013). Mais recentemente, com a entrada no século XXI, os jornais e a televisão foram confrontados com a Internet e os dispositivos móveis. E qual a solução?

Em 2018, Gershon identificou quatro obstáculos à inovação: a tirania do sucesso, onde existe uma perda da noção de urgência em criar novas oportunidades, uma cultura da organização demasiado burocrática, pesada ou agarrada ao passado, a fraca qualidade das equipas de coordenação e um ritmo de desenvolvimento demasiado lento e maioritariamente uma cultura de aversão ao risco.

Mas mesmo com a probabilidade de risco, estudos apontam que a inovação, nas suas várias dimensões, pode ser um caminho para restabelecer o papel do jornalismo. García-Avilés (2021) afirma que a inovação é uma oportunidade para a sustentabilidade, algo que os media tradicionais, com rotinas, produtos e modelos de negócio tradicionais demoraram muito tempo a compreender. Em particular, os estudos analisados sobre o impacto da inovação na sustentabilidade dos media sugerem que uma política de inovação cuidadosamente projetada e baseada em evidências é um instrumento poderoso para aumentar o desempenho jornalístico e económico das organizações e consequentemente garantir a sua sustentabilidade.

Referências Bibliográficas

  • Couldry, N., & Hepp, A. (2017). The mediated construction of reality. Polity Press.                         
  • García-Avilés, J. A. (2021). Journalism innovation research, a diverse and flourishing field (2000-2020). Profesional de la información (EPI), 30(1). Disponível em: https://revista.profesionaldelainformacion.com/index.php/EPI/article/view/86359/6 2908  
  • Gershon, R. A. (2013). Digital media innovation and the Apple iPad: Three perspectives on the future of computer tablets and news delivery. Journal of Media Business Studies, 10(1), 41-61. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/16522354.2013.11073559?needAccess=true    
  • Gershon, R. A. (2018). Three Strategic Approaches to Business Transformation. Handbook of media management and economics, 241.
  • Hepp, A., & Hasebrink, U. (2018). Researching transforming communications in times of deep mediatization: A figurational approach. In Communicative figurations (pp. 15-48). Palgrave Macmillan, Cham.                                
  • Kramp, L., & Loosen, W. (2018). The transformation of journalism: From changing newsroom cultures to a new communicative orientation? In Communicative Figurations (pp. 205- 239). Palgrave Macmillan, Cham.
  • Pavlik, J. V. (2013). Innovation and the future of journalism. Digital journalism. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/21670811.2012.756666?needAccess =true
  • Santos-Silva, D. (2021). Paradigmatic innovation in European cultural journalism: the pursuit of sustainability. The Journal of Media Innovations, 7(1), 95-108. Disponível em: https://journals.uio.no/TJMI/article/view/6523/7230